O Cantinho do Bélier

"Poema Afeano"

SONETOS DE 2006

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BAZZANI
CAMPANHA
OPINIÃO
CANTINHO DO BÉLIER

um pouco de cultura, amor e emoção onde o tema único é a querida ferroviária.


O CANTINHO DO BÉLIER

Antonio Carneiro

http://poemafeano.blog.com/

AFE é campeã
(Soneto em alexandrino verso dedicado à conquista

da taça FPF pela gloriosa Ferroviária)

Inusitado ajuste, excepcional direito:
Eis que a justiça impõe seu braço austero e dita
Uma fulcral sentença que à verdade incita
Ante dez mil ou mais a assistir tal feito:

Vencemos a final batalha, e com efeito
A guerra ganha está e mais não se cogita
No campo de Bragança, onde espúrea desdita
A árbitra intentou, por arbitral defeito.

Vencemos todos, árbitros, torcida, a gente
Que aos gritos já glosava, algoz anfitriã,
Nosso fracasso, em voz da iniquidade crente.

Explode a multidão grená, de empáfia sã,
Cantando, mundo afora, em coro, finalmente:
Ferroviária, és grande, és forte, és campeã!

  Antonio Carneiro (Bélier)
  V.N. Gaia - Portugal -   Dezembro de 2006


 Cabeça erguida

 

A tarde transmutou-se em plena treva
Que a noite introduziu com raro efeito
E o ânimo me instou tão contrafeito
Que nem na rima achei frustrada ceva,

Tal era o pessimismo que nos leva
A dar ao estro triste horrendo jeito,
Mas hoje a fria análise, a despeito
Desta derrota, algum proveito enleva:

Tem pois o clube um plano enfim que há de
Dar frutos em futuro mais feliz
Ao patrocínio da Cutrale, assente

No apoio às bases cuja não vontade
Tem sido sempre a falha de raiz
Que nos verga a cabeça ultimamente.

    Antonio Carneiro (Bélier)
    Vila do Conde - Portugal
    23/05/2006

Triste sina 3

 

De novo desce a treva na cidade
E desta vez com ares de sarcasmo
A escarnecer da gente, o entusiasmo,
Que acreditou no time de verdade.

Torpe ilusão, fugaz felicidade
Inda que da justiça no marasmo
Crida, foi qual de um músculo, um espasmo,
Inerte, a fé em sua liberdade.

Escarmentado efeito esse que assenta
Na mínima ambição dos mal fadados
Para a tristeza impor, que os sustenta,

Quando hão de atenuar-se teus ousados
E intoleráveis preitos por que isenta
Seja a nação afeana de tais fados?

Antonio Carneiro (Bélier)
V. N. Gaia - Portugal
22/05/2006

Expansão vulcânica (em alexandrino mote)

Domingo à tarde, que há de ser engalanada
Pela grená falange, imenso coração,
Havemos todos de expandir com emoção
Do peito ao mundo a voz que temos embargada

Há tanto tempo, presa, muda, escarmentada,
Qual lava desprendida, intensa, de um vulcão
Que aos céus sobeja sob colossal pressão,
Hábil de tê-la deste modo aprisionada.

Momento é de a sorte má se ir embora,
Que tanto nos persegue, e a justiça sim,
Mostrar presença incontestável nessa hora:

À Fonte, Araraquara toda e mais, a fim
De apoiar muito estes heróis que hão de agora
Resgatar esse nosso sofrimento, enfim.

Antonio Carneiro (Bélier)
Vila do Conde - Portugal
18/05/2006


Apelo à galera (AFE! AFE! AFE! ... 

do início ao fim)
 

Meu caro torcedor, que vai domingo à Fonte
Onde eu também gostava de lograr presença,
Esqueça, por favor, a exigência imensa
Que nossa gente sói impor, eis não confronte

Com vaias os que vão a campo e no horizonte
Têm também de vencer a ânsia, quando, intensa,
Levá-los a falhar e em vez de inócua ofensa,
Antes, do início ao fim aplauda, erros não conte:

Nós temos de vencer, a hipótese é final
E o time há de sentir apoio permanente:
Um grito ecoe então de todos, colossal,

Um grito tão feroz, tão alto, tão potente,
Hábil de percorrer distâncias a oriente,
Que até eu possa ouvi-lo aqui em Portugal!

 

Antonio Carneiro (Bélier)
11/ maio/2006 - Vila do Conde - Portugal

Alívio passado, crédito futuro

Ao fim do sofrimento, alívio imenso,
De um jogo inteiro, que refaz, conforta,
Ganho à Santacruzense e nos exorta
Vitórias só buscar, este o consenso

Que há de convir a quem se faz pretenso
De colimar um alvo e ardor não corta
Ante percalços, nem detém-se à porta
De um conquistar quando este faz-se apenso.

O nosso time tem de crer com fé,
Pois antes já ganhou, fase primeva,
Com um bom saldo positivo até:

Confiança então tenhamos, não se eleva
À luz de nossa crença a muda treva
E vamos lá vencer, a São José!

    Antonio Carneiro (Bélier)
    V. N. Gaia - Portugal
    14/maio/2006

Triste sina    

 

Maldita sorte, imenso carma, almejo
Que só aos deprimentes deploráveis
Impõe-se com tais jugos lamentáveis,
Há de nos perseguir, triste cortejo.

Ignóbil fado, emporcalhado pejo,
Que mais hei de dizer se tão afáveis
Da língua os adjectivos, não fiáveis,
Ignoram de tal sina um tal ensejo:

Somente a voz potente do infinito
De um ser maior, pela justiça instada
Logrará de afastar tamanho fito.

Que venha, pois, por todos escutada
Repor um algo: Oh! Justiceiro grito,
Por que de tanto ardor não sobre nada.

 Antonio Carneiro (Bélier)
 V.N.Gaia - Portugal
 7/maio/2006


Justiça ao melhor 


Em derradeiro instante foi tramada
A sorte má que nos persegue há anos,
Mas que não gorará os nossos planos
Posto tal imprevisto há de ser nada:

Dois pontos mais na última jogada
Do São José e de arbitragem danos
A, outros tantos dos furtos nos arcanos
Nos chegam de perder nesta empreitada

Pague a Santacruzense esta garapa
Que nos está devendo o campeonato
E os mais o resto na última etapa,

Pois somos os melhores, ipso-facto
De ganhar a primeira e não se escapa
Da justiça o jaez por preito lato.

Antonio Carneiro (Bélier)
V. N. Gaia - Portugal
6 de maio de 2006

Roubo em Jaú (Cantado em alexandrino)
 

Pela Piratininga, rádio de Jaú,
Ouvi o jogo e até em seu impar conceito
A arbitragem nos lesou e com efeito
Lá se foram dois pontos em juízo cru:

Sofreu penal Hamilton Junior, fato nu,
Quando ganhávamos por dois a um e em jeito
De ampliar a contagem e nos é direito
De novo deplorar de decisões o embu...

Pelos isentos críticos também foi dito
Que mais jogamos e destarte merecemos
Ganhar o compromisso, em seu veredito.

À frente, pois, sem medo, o São José teremos
Na Fonte, quarta-feira e imenso é nosso fito
De dar um passo além à meta que já vemos.
 

Antonio Carneiro (Bélier)
V. N. Gaia - Portugal
30/abril/2006

AFE - um grito planetário
 

É simbólico, sim, mas nós vencemos
Da classificação a prima etapa
Do longo caminhar no árduo mapa
Que em sucesso de cumprir havemos:

Neste domingo o compromisso temos
Para Jaú e quem perder derrapa
Logo ao partir, dificilmente escapa,
À decisão, de onde já os vemos.

É a reta final, a derradeira
Dos sonhos, a bagata irrevogável
Que a morte empenha ou a glória esgueira.

Então, de norte a sul, na Terra inteira
Um grito só se faça ouvir, notável:
É AFE, é AFE, é AFE ... interminável!!

     Antonio Carneiro (Bélier)
     V. N. Gaia - Portugal
     23 de abril de 2006


Jogo atual - meta futura
 

Em estado de graça há muito ausente
De sua rota em vários campeonatos
A Osvaldo Cruz de ventos bons, cordatos,
Domingo a nossa nau faz-se presente.

Dirão, o mesmo que, talvez, recente,
Time, que nos vergou por insensatos
Três gols e que há de ressarcir tais fatos
 E a bravata engolir, tão insolente:

 Revanche assim é, pois, apetecida,
 Mas urge usar razão sadia e plena,
 Que esta etapa já está vencida.

 Grande a vitória, às vezes é pequena
 Quando à meta se impõe, antecedida
 Por que esta não se faça tão serena.

Antonio Carneiro (Bélier)
 V. N. Gaia - Portugal
 16/04/2006

Euforia com juízo
 

A euforia é justa e bem se insere
Num contexto de otimismo eivado,
Pois não nos pode, enfim, passar ao lado
O ardor que este time nos confere:

Foi magistral nos jogos, e se espere,
Passados dois, em que mostrou bem grado
O alto astral de que se tem louvado,
Ainda mais louvar quão mais se esmere;

Mas atenção, à meta não chegamos
E o apogeu não pode vir agora,
Eis que a fase final inda demora:

O São Carlos, pois hoje recebamos
De humilde jaez, e às finais vamos
Com respeito e com otimismo, embora.

 Antonio Carneiro (Bélier)
 Vila do Conde - Portugal
 12/04/2006

Da anímica indução à nova fama

A anímica indução que assiste, é vero,
Nossa briosa equipe, fez-se vista,
Que jogo a jogo o confiar conquista,
Na Fonte engalanada e em tom severo:

Caíu de tradições e honrar não mero
O Botafogo, em clássica revista
De imortais jornadas, áurea lista,
Glória intocável de jaez sincero

Por cinco a um, placar insofismável
Em jogo inesquecível que lembrou
Um outro, seis a três, que iniciou

A saga deste clube memorável,
Que há de ainda, em breve, qual logrou
Lograr de nova fama formidável.
 

Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
9/4/2006


O Dinei, a Matonense e o futuro

 

Deus te valha, Dinei, e te mantenha

A marcar gols pela Ferroviária,

Antes que alguma equipe adversária

A interessar-se por teu jogo venha

 

E a goleada à Matonense tenha

Anímica indução, não perdulária,

Para influir depois, de forma vária,

Conforme o mais sutil que nos convenha:

 

Que já no Bota-Ferro tal ocorra,

Um clássico de história precedido,

E sempre, no porvir, que nunca morra,

 

Pois hora é, que a marque o sucedido,

De ousar a reação tal que decorra

O acesso ao nível que nos é devido.

 Antonio Carneiro (Bélier)
 Vila do Conde - Portugal
 06/04/2006

Almejo de vencedor (OXO em casa...)

 

Na Difusora ouvi, entristecido,

De Franca, outra mensagem malfadada:

Pelo que percebi, não jogou nada

O nosso time, assaz entorpecido.

 

Ora, não há porque, não faz sentido

Para quem tem augúreos na jornada

De ir além da média, conformada,

Acomodar-se a sono mal dormido.

 

A fibra, pois, é necessário ensejo

Para a reta final que se aproxima

Sob pena de apoiar-se no desejo

 

Em posição que pouco nos anima.

Quem quer vencer há de se impor, almejo

Que só o vencedor sempre colima.

 

Antonio Carneiro (Bélier)

 V. N. Gaia - Portugal

 02/04/2006

Manhã que chora ... Domingo risonho
  (Recado à AFE)

 

Nesta manhã que chora, e mais cinzenta,

As lágrimas chuvosas, fria, triste,

Ciente fui de que te consumiste

Na noite de Jaú, de alvor isenta,

 

Mas a derrota, também soube, assenta

Na injustiça atroz que muito assiste

A lei do futebol da qual já viste

A face qual cruel quão se apresenta.

 

Cabeça erguida, pois, missão cumprida,

Eis que inda estás tão próxima do sonho

Como antes desta etapa imerecida;

 

Rumo à Francana então, sem ar tristonho,

Da Fonte ao mundo com toda a torcida

Para um domingo de jaez risonho.

 

Antonio Carneiro

Vila do Conde - Portugal

30/03/2006


Sonho sonhado e real

Uma barreira a menos, foi vencido

O Barretos na Fonte e assim vamos

Rumo às finais, desfecho que esperamos

Ser de alegria plena convertido.

 

Consolidar porém, pois é temido,

As nossas linhas é mister, que estamos,

Ser alvo dos demais, não iludamos,

A avistar o alvo apetecido:

 

Para em compacto bloco, e entrosado,

Com humildade sim, e confiança

Levar o sonho a ser realizado

 

Que tanto já nos enche de esperança

Há tanto tempo que de tão sonhado

Inspira-nos à vida com que avança.

 

Antonio Carneiro (Bélier)

V.N. Gaia - Portugal

26/03/2006

 Anseio Renovado

Embalde foi do Hortolândia em casa

O ensejo a primo jogo no torneio,

Eis nosso time no terreno alheio

Mostrou talento mais, que se extravasa

 

Para os sítios além e não defasa

Por hostis ambientes de permeio,

Repondo assim bem alto o nosso anseio

De vê-lo impor-se em divisão tão rasa.

 

Unamos, pois, torcida valorosa,

Que grande é a Ferrinha e já deu prova

Cabal, a voz possante e calorosa

 

Para a história rever, que se renova

No pensamento instado, a verso e prosa

Da glória convertida em glória nova.

 

Antonio Carneiro (Bélier)

V.N.Gaia - Portugal

19/mar/2006

Reabilitação

De Monte Azul veio notícia amena
A despertar um novo alento e é justo
Dizer que apesar de algum custo
Esta primeira volta foi serena:

Com confiança entremos, da mais plena,
Numa seguinte estância, já sem susto
De naufragar, e assim com porte augusto
Seja a nossa ambição nunca pequena;

Pois vimos que não há papões nem papas:
Outros dificuldades têm e nelas
Tropeçam com frequência facilmente.

Ao Hortolândia então, novas etapas
Hão de nos dar afirmação, a elas
Para alcançar a meta finalmente.

Antonio Carneiro (Bélier)

V.N.Gaia - Portugal

12/mar/2006


Sol de Araraquara em Monte Azul
    (Parodiando Bocage)

 
O céu, de opacas sombras abafado,
Nosso, antes azul, matiz supino
Dá-nos prenúncio mau para o destino
A que tanto nos temos costumado:

Desfeito em furacões o vento irado
Parece andar às voltas, já sem tino
A completar o quadro, bizantino,
Julgando nosso ar preocupado;

Mas eis que logo após a tempestade
Há de riscar o éter, confiante,
De novo a luz do sol desta cidade

Para seguir a Monte Azul distante
Junto com nossa AFE e de verdade
Mostrá-la com seu brilho triunfante.

Antonio Carneiro (Bélier)

Vila do Conde (Portugal) - 9/mar/2006

Crash! (O! Cruz)


É lamentável, triste, empedernido
Este destino nosso, e já me esqueço
Do início promissor que, com apreço
Deu-nos do alento um ar apetecido;

Mas não nos cabe aquilatar que é sido
O fim, por mais que o fado mais avesso
Se mostre em nosso andar já tão opresso
Por tantas mágoas de azo concluído.

Antes preciso é, com força ingente
Unir as forças, redobrar cobranças
A quem da nossa nau está à frente:

Tomem de vez vergonha das andanças
Tristes que andamos a fazer, e à mente
Ponham ação para implantar mudanças!

Antonio Carneiro (Bélier)
V. N. Gaia - Portugal -  

5/março/2006

Tradição Grená

A tradição grená excede tudo:
Cartolas, jogadores e torcida
Ainda que lutemos toda a vida
Por tal jaez de imenso conteúdo:

Destarte, não podemos ficar mudo
Da camisola ao ver a cor mexida
Para o vermelho em decisão mal sida,
Da moda a obedecer linhas, contudo.

Cinquentenária história de tais cores
Auri, avinhada temos, e é mister
Que imensa fama assenta esses louvores

E não é lícito a quem convier
Romper com os mais lídimos pendores
Por conta de uma hipótese qualquer.

António Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal
27/fev/2006


 Lição de um dia mau

 Havíamos de um dia mal fadado
 Perder a invencibilidade, é certo,
 E deste dia de antes encoberto
 O evento chegou, com desagrado;

 Mas não perdemos, há de ser lembrado,
 A liderança, mesmo que a coberto
 De leis do desempate, em sendo aberto
 Regulamento a tanto elaborado.

 Tomemos da lição o bom sentido
 Que nos restou desta tramada empresa,
 Pois qualquer vencedor já foi vencido

 E para confirmar nossa grandeza
 O Oswaldo Cruz nos seja apetecido
 De derrotar com toda ampla certeza.

 

Antonio Carneiro (Bélier)

V.N.Gaia - Portugal

25/fev/2006

Do Chelsea à AFE ... 

de Mourinho ao Moura

 

O Chelsea tem Mourinho, orgulho, ensejo

Do luso futebol, por treinador

Que o cumula de azo vencedor

Do Reino Unido em lides; de cotejo

 

Temos o Moura, meu xará, que vejo

A haurir também de idêntico esplendor

A AFE dantes tida com louvor

Da mesma jaça e de tamanho almejo:

 

Este ao primeiro nada deve, é justo,

Pois como o outro a todos mais convence,

De o dizer não tenho o menor susto.

 

Que continue assim e já se pense

Em êxito outra vez, de porte augusto

Amanhã, ante o Grêmio Sancarlense.

 

Antonio Carneiro (Bélier)

Vila do Conde - Portugal - 23/fev/2006

Momento perpétuo

  Mais indigesto, o teste foi vencido
  E não nos sai da posse a liderança,
  Eis que os nossos têm fibra, têm pujança
  Conquanto tão difícil haja sido:

  O Botafogo bem não sucedido
  Ficou, em casa sua, e não avança
  Sobre nós, qual pantera, como lança
  Epíteto de que é tão conhecido.

  Brindemos, pois tal feito é formidável,
  Grená plateia, que do sofrimento
  Já nos cansamos - sina intolerável:

  A São Carlos, ao novo apontamento
  Com alegria e fé inquebrantável
  Para perpetuar este momento.

 Antonio Carneiro (Bélier)
 V.N.Gaia - Portugal - 19/fev/2006


Eia!

E não é que ganhamos novamente
E logo em Franca, ante a Veterana
Em cujos pagos idos por ufana
Não foi a nossa vida mui frequente:

Eis, pois, a Matonense, à nossa frente
Não nos há de se apor à Taprobana
De procelas audazes, que há ter gana
E humilde postura congruente.

Acreditemos mais, que é hora boa
Para "curtir" a liderança instada
Que de há muito nos foge ou desboroa:

Do mundo inteiro já a congraçada
Nação grená numa só voz entoa:
Eia! Ao triunfo em toda essa jornada!

Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia - Portugal -12/fev/2006

Do Bota-Ferro à Glória (em Alexandrino)
 

O Bota-Ferro, em tradição de porte altino
Desponta já como o maior dos desafios
E tal mister impõe contornos tão bravios
Que nos inspiram para o verso alexandrino:
 

No Santa Cruz quiçá contornos do destino
Rever-se-ão do mundo astral por tênues fios
A refletir em relva verde, luzidios,
Tantos heróis passados de jaez supino.
 

Quem não se lembra da vitória alvissareira
Por seis a três imposta ao mesmo desafiante
Que primo nos levou à divisão primeira?
 

Prenúncio bom, que outros trouxe mais adiante
E mais trará, desde domingo à vida inteira
Do clássico imortal à rota triunfante!
 

Antonio Carneiro (Bélier)
Vila do Conde - Portugal - 26/fev/2006

Sonho Real

Apesar dos pesares, a verdade
É que vamos a Franca da tabela
No primeiro lugar, não é balela,
E isto nos enche de felicidade.

Sabemos da atroz dificuldade
Que esta competição trará com ela,
Porém bem começamos: tal revela
Augúreo bom, que de prosseguir há de.

Eis, não há mal que sempre dure, o nosso
Já perdura demais, é tempo imenso
Cujo início de recordar mal posso:

A Franca, pois, afeanos, garbo intenso,
Haurir de realidade o sonho vosso:
Hoje é real o que ontem foi pretenso.

Antonio Carneiro (Bélier)

Vila do Conde - Portugal - 10/fev/2006


Alegria Matinal

Cuidava de saber, agora vejo
Nesta manhã de inverno, soalheira,
Cuja expressão é de verão inteira,
Um paradoxo com raro cotejo

A alegria imensa deste ensejo
Ontem vivido em noite alvissareira
Na gloriosa Fonte, a companheira
De tantos outros, colossal cortejo!

O XV de Jaú saiu vencido
Depois de entrar provável vencedor:
Talvez o mal não seja o que há sido,

Como este sol de inverno, acolhedor,
Mesmo na Europa fria, a dar sentido
A um futuro mais claro e promissor!

Antonio Carneiro (Bélier)
Vila do Conde - Portugal
9-fev-2006

AFE - Alma Imortal

Dos males, o menor, dirão talvez
Aqueles que confortam-se do menos
E à vista de algo além contam, serenos,
De mais não ser por não perder a vez.

Algo porém demonstra a insensatez
De tais juízos de ambição não plenos:
É que hoje os ventos não sopram de amenos
Para quem acomoda a sua tez.

É certo, não perdemos, mas de quem?
Do Barretos! Oh! Grande envergadura
Que tanta glória imensa não contém...

Acorda, gente que inda conjura
Males recentes, por lembrar também
Que alma imortal não desce à sepultura.

Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia, Portugal
5-fev-2006

  Tradição não se compra

Jusante assaz do financeiro apoio
Por empresariado conhecido
Cujo alvitre de sempre apetecido
É lograr mais prestígio no comboio

Do futebol, em clubes cujo arroio
Mais não é do que mote envilecido
De campos varzeanos onde sido
Seu palmarés resvala em tom saloio,

O SEV de Hortolândia vem à Fonte
Qual um plebeu pela nobreza instado
Inda que a sítio pífio se remonte:

A tradição, porém é nobre estado
Que o vil metal não compra e assim já conte
Sair de Araraquara derrotado!

Antonio Carneiro (Bélier)

V. N. Gaia - Portugal

 29/jan/2006


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